O que é normal?


Estive numa formação onde foi abordado o assunto da normalidade ou falta dela, por outras palavras: o que é normal?

A conclusão a que o grupo chegou foi: o normal é o mediano, ou seja, tudo o que não é extremo (o muito muito ou o muito pouco) é o normal, até percebo o raciocínio, mas caraças, existem situações em que não concordo com isso!

Por exemplo: no caso do amor, existe o sentir amor light? Alguém sonha em ser amado mais ou menos? Alguém quer um relacionamento em que o(a) outro(a) esteja moderadamente apaixonado(a) por si?

Será normal estar à espera de perceber se ama ou não ama? Será normal forçar um sentimento porque dá jeito?

Epá não! E até digo mais, se o(a) caro(a) leitor(a) vive um relacionamento em que gosta mais ou menos, ou se não tem a certeza se está apaixonado(a), rais parta, salte fora e fique à espera que a magia aconteça com outra pessoa!

Amar, estar apaixonado(a), gostar a sério de alguém é algo que cria borboletas nas entranhas, sente-se saudades, quer-se muito estar com, faz acelerar o coração, sem dificuldade de maior arranja-se sempre tempo, arranja-se sempre forma, vamos até ao fim do mundo por amor e só assim vale a pena.

Amor sem sal, sem mensagens ridículas, sem telefonemas infindáveis onde nunca falta assunto, um amor sem urgência de beijar, de abraçar, de rir junto, um amor sem emotividade, não vale nada, não é amor, não é paixão, enfim… é uma merda!

Amor e paixão implica muito, muito, muito… muitas mensagens de amor ridículas, muito sentimento, muita emotividade, muita entrega, muito mimo e é isso que para mim é o normal, toda a paixão, todo o amor que não seja vivido no limite do muito, não presta… e nem sequer pode ter o estatuto de anormal.

Simplesmente não é nada!

4 comentários:

  1. Primeiro, Francisco, obrigada pelo texto, pela reflexão e pelo grito :) Este tema do normal toca-me muito, aliás toca-me desde que me conheço. Aliás, grande parte da minha vida foi vivida a tentar ser normal, até desistir por assumida e aceitada incompetência para tal. Mas, se na vida, queria ser normal; no amor sempre sonhei com o completamente anormal, i.e., com aquilo que não via nos meus colegas de escola, nos meus amigos, nos casais que conheço e conheci, na forma de amar moderna e actual. Para a sociologia ;), o normal depende sempre do actor e do contexto em questão. Considera-se um comportamento fora do normal, ou desviante, consoante as normas adoptadas pelo grupo em que o indivíduo se insere. Mas uma das coisas que aprendi com a minha busca (infrutífera) por ser normal é que esse tipo de julgamento depende de algo que há muito eliminei da minha vida: a comparação. E uma coisa vem com a outra: ao negar-me comparar-me seja em que nível for comigo ou com outras pessoas, a questão da normalidade perde importância. Agora, quanto ao amor, bom o que dizer?....Eu arriscaria, talvez, a dizer que o normal é a preguiça, o comodismo e a cobardia emocional. E os que sabem o que querem quando encontram, os que não desistem, os que não se conformam, os que não se desculpam, os que quando amam, amam com tudo, com toda a vulnerabilidade que isso exige, com toda a exposição, autenticidade, trabalho e entrega que isso implica (incluindo mensagens e coisas fins ridiculamente de amor), são tão raros que, como diz, nunca chegarão a ter o estatuto de normal. Ficam-se pela retórica e pelas pregações vazias sobre o amor, a paz, a família, etc. Ou seja, ficam-se pelo vazio que revela corações que não sabem verdadeiramente amar, mesmo que sejam casados, pais de família, etc. Bom, e resumindo, no amor e na vida, Deus nos livre de ser normal, como diria o Porf. Hermógenes.

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    1. Olá Filipa, obrigado pelas palavras sábias!
      Principalmente dois temas que me são caros e que foram abordados:
      O não nos compararmos com os outros ou com nós próprios;
      E o comodismo que se vê tão frequentemente nos relacionamentos.
      É mesmo isso e fez-me pensar ;)
      Por fim, agradeço as palavras gentins relativamente ao meu texto, muito obrigado.
      Beijinhos.

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  2. Amor e paixão implica muito, muito, muito… muitas mensagens de amor ridículas, muito sentimento, muita emotividade, muita entrega, muito mimo e é isso que para mim é o normal, toda a paixão, todo o amor que não seja vivido no limite do muito, não presta… e nem sequer pode ter o estatuto de anormal.
    E muita cumplicidade....

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