Indireta direta!


Quantos bons escritores existem na Internet? Quantos milhares de excelentes textos passam despercebidos à esmagadora maioria de internautas? Quantas páginas, blogues e outros recantos, nascem e morrem sem ter o sucesso merecido?

Serão por certo bastantes, e possivelmente num número elevado dessas páginas os(as) autores(as) estão-se a borrifar para o facto de terem muitos ou poucos leitores, sabem porquê? 

Porque para eles(as), o ato de escrever é como uma terapia, deitar cá para fora coisas da vida real, opiniões, ou simplesmente histórias de ficção, é estruturante, acalma a alma e aguça a capacidade de escrita, capacidade essa tantas e tantas vezes desconhecida dos próprios, até ao dia em que tiveram coragem de começar a publicar o que escrevem.

Muitos desses recantos internáuticos são excelentes pontos de encontro entre amigos, aí se acompanham as novidades, a criatividade, funcionando por vezes como autênticos pontapés de saída para troca de ideias e longas conversas fora do mundo virtual.

De outro ponto de vista, esse lado virtual quando mal gerido pode tornar-se perigoso, sim é mesmo verdade, até num simples cantinho como o Laudas Avulso, existem leitores amigos ou conhecidos do autor que tentam rebuscadamente perceber se determinada história de ficção é mesmo ficção, ou se é uma realidade mascarada de ficção, outros que percecionam recados e indiretas em tudo (mesmo nas coisas mais inocentes!) e recusam-se a entender que uma lauda marcada como ficção, é porque é ficção, uma marcada com opinião, é porque naquelas linhas dou mesmo a minha opinião sobre algo, etc.

O que não será então a pressão sobre um(a) autor(a) de uma página rica em indiretas, recados e coisas afins?!

Sim, confesso que o World Wide Wacko e o Taralhouco Anónimo terminaram por na época eu não ter aguentado a pressão de pessoas (por certo sem nada para fazer), que parecem passar o tempo a transformar piadas de páginas pacíficas em autênticos campos de batalha idiotas, com comentários e emails agressivos e intermináveis!

Por fim, existe mais um perigo para os Internautas mais incautos: ficar-se viciado!

E tanto pode ser um vício inofensivo, por exemplo viciado em escrever (e por vezes trocar a qualidade pela quantidade), ou menos inofensivo como ser viciado em verificar os comentários, os likes, as visitas, o perfil daquela pessoa que nos diz algo e com a qual não se passa uma hora sem ter a necessidade de ver se escreveu algo novo, quem lá comentou ou fez like, o que comentou, etc.

Quando se dá conta deixou-se de ter vida própria e passou-se a viver uma vida virtual, com as eventuais consequências profissionais e pessoais.

Felizmente nunca passei por isto, sou regrado no que diz respeito às páginas que administro e nem pensar em meter o nariz repetidamente em páginas ou perfis de terceiros, no entanto conheço casos (penso que a maioria de nós conhece).

Pois é, não sei se terá sido por pressão, por vicio, por qualquer outra coisa, ou um pouco de cada, mas verifiquei com tristeza que mais uma página de qualidade (de acordo com o meu gosto pessoal) interrompeu as suas publicações regulares… espero que a autora se reencontre e nos presenteie com novos textos, até quem sabe com novos destinatários, que transmita equilíbrio nas entrelinhas e sobretudo que passe uma felicidade genuína.

Foi este o raciocínio que me desencadeaste, e já que me deste autorização partilho com os leitores do Laudas Avulso o texto que originou as linhas anteriores. Até breve!

Suicídio virtual


Cometer o suicídio no mundo virtual é algo que assusta…
Assusta quem sente a necessidade de cometer esse acto e assusta quem depois se confronta com tal desaparecimento. Neste último caso o que assusta não é bem o suicídio, mas mais o pensamento que tenham antes sido assassinados.

Mas pensando friamente, e porque já passaram alguns dias sobre o meu suicídio virtual, eu não me matei apenas, assassinei também quem me fazia mal mesmo pouco ou nada fazendo para tal…

Não doeu tanto como pensava!
Estou a redescobrir vida além do virtual.

Talvez um dia ressuscite virtualmente, talvez decida manter-me assim…
Talvez volte a reencontrar-me e aprenda a não me perder…

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