O que é o amor?

– Mamã, o que é o amor?

Sílvia olhou para a sua pequenita e sorriu – as crianças fazem perguntas muito difíceis – pensou.

Num pequeno espaço de tempo várias hipóteses de resposta pairaram na sua cabeça, mas decidiu-se rapidamente – o amor é uma coisa boa que se sente, é o que fez a Fiona decidir ser ogre ao lado do Shreck percebes?

A pequena Flávia abriu os olhos de espanto e dispara – Como eras antes de ficar com o papá?!

Foi apanhada desprevenida e não evitou uma gargalhada com vontade – Era igual filhota! Um pouco mais nova é só – e observou que a criança depressa dirigiu a sua atenção para uma das bonecas esquecendo o assunto, mas a Sílvia não esqueceu.

Sim, era mais nova, sonhou que o seu casamento seria para toda a vida, estava segura do que sentia e julgava que mandava no coração, mas afinal não! E agora? Como contar à garota? Como dizer que o amor nem sempre é como nos desenhos animados? Que por vezes é necessário sair para não fingir…

--

A pequena Ana andava entretida a brincar com as suas bonecas, inventava diálogos entre elas, muitas vezes baseados no que ouvia na televisão, num dado momento parou, olhou para a sua avó e questiona – vovó, o que é o amor?

Sílvia olhou para a sua neta e sorriu, lembrou-se que a sua filha lhe tinha feito exatamente a mesma pergunta quando tinha mais ou menos a mesma idade!

Mentalmente percorreu rapidamente a sua vida cheia, as opções que fez por amor, o que sofreu, o que lhe trouxe felicidade, instintivamente olhou na direção da sala, viu o Jorge sentado na sua poltrona de estimação a ler um livro descontraidamente, o seu amor… chegou já fora de tempo mas tão dentro do prazo!

Olhou novamente para a sua neta e ao mesmo tempo que lhe afagou os cabelos desalinhados respondeu tranquilamente – o amor é uma coisa boa que se sente, lembras-te do filme antigo que viste com a avó no outro dia? O Shreck? – a pequenita indicou um sim com a cabeça – Então, o amor é o que fez a Fiona decidir ser ogre ao lado do Shreck percebes? É um sentimento bom, é um gostar como gostas da mamã e do papá.

A pequena Ana parecia ter ficado satisfeita com a resposta, voltou às bonecas, Sílvia desviou o olhar novamente na direção da sala, o Jorge tinha interrompido a leitura, segurava o livro em cima do seu regaço e observava-a com um sorriso traquina nos lábios, ela sentiu-se irresistivelmente atraída e foi na sua direção, gentilmente tirou-lhe o livro, pousou-o em cima da mesa situada mesmo ao lado, sentou-se no seu colo abraçando-o e procurando-lhe o ouvido sussurrou-lhe – O amor é o mais importante que nos acontece na vida, quando ela crescer irá perceber, certo?

0 comentários:

Enviar um comentário

Todos os comentários serão publicados, excepto spam e/ou os que contenham linguagem inapropriada.

Laudas mais lidas nos últimos 7 dias