Isso basta-me!


– Era tão fácil apaixonar-me por ti, tens noção? Possivelmente tens, mas por favor continua a agir como se não tivesses, dá-me gozo isso, além do mais tens a honestidade de não deixar portas entreabertas, nada de esperanças vãs, és muito clara nisso até porque já o sofreste na pele – embora não fosse religioso, enquanto estava perdido nesses pensamentos decidiu entrar numa igreja situada ali à mão em busca de algum sossego, decorria a missa das 18h, ainda assim sentou-se na última fila respirou fundo e fechou os olhos.

– (…) pequei muitas vezes por pensamentos, palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa (…) – ouviu os fieis dizerem a uma só voz e os seus pensamentos viajaram numa outra direção – Culpa?! Culpa de quê? Mas alguém manda no coração?!

Estava a sentir-se o oposto do que pretendia naquele momento, ideias de um Deus castigador, pecados e culpas eram conceitos que lhe faziam mal – estarei na Idade Média? – pensou enquanto se levantou e dirigiu-se para a rua, já no passeio e misturado na multidão solitária da grande cidade, foi ao bolso do casaco e retirou o telemóvel, tinha um SMS, desbloqueou o aparelho – é dela – verificou e sem evitar um sorriso abriu o SMS e leu-o:

– Gosto de ti!!

Com um sorriso ainda mais largo, acelerou o passo em direção a casa, a chuva ameaçava e não tinha chapéu, enquanto colocava o telemóvel novamente no bolso ainda concluiu mentalmente – isso basta-me, também gosto de ti e já te responderei isso mesmo!


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