Um dia estaremos todos mortos


É mesmo verdade, um dia vamos estar todos mortos! Mortos do ponto de vista físico claro está, pois aceito que estaremos vivos num outro estado da realidade.

E isto que escrevi não é uma crença ou uma fé cega, baseia-se nas experiências e realidade que tive (e tenho) a felicidade de viver ao longo dos anos, no entanto este texto não irá versar sobre esse tema.

Prefiro escrever sobre a forma como a maioria de nós vive o dia a dia como se a morte não existisse, já repararam nisso? Nós vivemos o dia a dia como se o nosso corpo fosse viver para sempre!

Assim, e como preferimos ignorar conscientemente que podemos morrer no minuto seguinte, andamos numa roda viva egoísta, onde nem damos a devida atenção às pessoas a quem queremos bem, não ouvimos, não nos despedimos convenientemente, não perdoamos, não engolimos o orgulho e ao mesmo tempo damos uma importância exacerbada ao carro, à casa, ao dinheiro, ao episódio importante da nossa série preferida, etc.

E quando nos despedimos a correr daquela pessoa de quem gostamos, sem olhar nos olhos, sem dar um beijo e/ou um abraço, sem nada, simplesmente um até amanhã, ou um até logo despachado?

Ou quando nos dizem tenho uma coisa para falar contigo e despachamos a pessoa a grande velocidade com um agora não posso, não tenho tempo, depois falamos.

Depois?

Mas o depois pode não existir! E acreditem, custa, doí e pode transformar-se num peso que nos acompanha toda a vida.

Outra coisa que fazemos: não gerimos as relações humanas como devíamos e isso ocorre em todos os contextos, com a família, com amigos, colegas... até com os desconhecidos.

Não fazemos um esforço para nos colocarmos no lugar do outro, não entendemos, não queremos saber do ponto de vista da outra pessoa, levantamos o estandarte do quem não sente não é filho de boa gente e perdemos sem dar conta.

Porque um amigo que deixamos de considerar como tal, o familiar com quem cortamos relações, o colega a quem fazemos a vida negra porque nos fez algo que nos desagradou, só nos faz perder a nós próprios... perdemos a oportunidade de crescer com as experiências que essas pessoas nos poderiam passar, perdemos por não tentar perceber o que leva esse ser humano a tomar determinada atitude, não nos pomos no lugar do próximo.

Um dia estaremos todos mortos e o que é que o nosso orgulho e teimosia vale nessa altura?

Nada, absolutamente nada!

Mais: como será a nossa consciência nesse novo estado que é a vida após esta vida? E se descobrimos que temos culpa no cartório?

Nada a fazer a não ser corrigir, mas acredito que se fizermos o esforço de resolver essas pendências enquanto estamos cá, o valor será maior e a alegria interior enorme, não tem preço.

Como muitos dos leitores do Laudas Avulso sabem, embora não siga nenhuma religião, acho bastante lógica às ideias que Jesus deixou na sua passagem por este planeta e uma das ideias importantes foi esta:

Evangelho de Mateus 5, 20-26
(...) quando levares a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só depois vai apresentar a tua oferta.
Colocando de lado a parte da oferta ao altar (pois temos de nos lembrar que isto foi há dois mil anos e na época era o que as pessoas tinham entendimento para perceber), tente fazer a sua parte no sentido da reconciliação com o próximo e faça-o de coração aberto, sem reservas, sem muralhas, sem condições... e se o próximo não aceitar, paciência, é um problema dele, você fez a sua parte e a sua consciência ficará mais leve.

Mas atenção, nada do que escrevi é sinónimo de se deixar transformar num saco de pancada, isso não!


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