Recordação ficcionada

 

É noite, sinto-me a correr desenfreadamente pelo meio de uma floresta, a lua está cheia, o que mesmo com algumas limitações permite-me ver por onde avanço.

Estou exausto, em pânico, e corro pela vida, atrás de mim sinto o que será uma alcateia ou uma matilha feroz cada vez mais perto.

Lá no fundo sinto que não vou conseguir escapar, mas o instinto de conservação e sobretudo o pânico impelem-me a continuar, nunca corri tanto nem tão depressa em toda a minha vida, passo por fetos, desvio ramos e silvas, sinto os braços e pernas arranhados por estes obstáculos, devo estar a sangrar um pouco mas não me detenho e a visão periférica percebe as árvores a sucederem-se rapidamente umas atrás das outras.

O rosnar dos vários animais que me perseguem está mais perto, o pânico agora apodera-se de mim de uma forma incontrolável, enquanto corro, olho para baixo e vejo que estou vestido com o que parece ser uma serapilheira castanha, tenho uns cordões brancos que fazem a função de cinto atados à cintura e calço umas sandálias (recordo-me disto perfeitamente), enquanto sinto o ar a entrar e sair rapidamente dos pulmões, continuo a correr o mais depressa que é humanamente possível, até que tropeço numa raiz de árvore saliente e caio violentamente ao comprido numa pequenina clareira que existia logo de seguida.

Magoei-me, percebo que parti os dentes da frente ao bater com a cara em cheio no chão, rebolo rapidamente sobre mim, levanto ligeiramente a cabeça e nesse momento vejo os animais a surgirem do meio da vegetação.

Naquela fração de segundos cerro os punhos com força e eles atiram-se ferozmente ao meu corpo.


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