O maior desafio


Um amigo meu costuma dizer com piada que o maior desafio do Homem não é ir a Marte pois isso mais cedo ou mais tarde consegue-se, basta a tecnologia permitir, arranjar financiamento, treinar astronautas e já está, o que é mesmo difícil, o maior desafio de todos é a convivência de duas pessoas num relacionamento durante uma vida.

E tem razão!

No inicio tudo é tudo uma maravilha, o outro nunca tem defeitos ou se porventura os têm, aos olhos da pessoa que ama são defeitos mínimos, sendo facilmente digeridos e o relacionamento é um mar de rosas, depois ao fim de uns anos (para algumas pessoas nem é preciso tanto tempo) as coisas já não são bem assim, a convivência diária, as dificuldades que surgem, as contas para pagar, os pequenos hábitos de cada um, começam a fazer sobressair o verdadeiro “eu” de cada individuo e depois a confiança construída ao longo do tempo parece permitir falar e fazer tudo de qualquer maneira.

As manias que todos temos começam a ser irritantes e aparecem os clássicos nunca fecha as portas dos armários, a pasta de dentes, monopoliza o comando da televisão, deixa a tampa da sanita para cima, ressona e/ou outros!

Instalado o desconforto, o verniz começa a estalar e a partir daí é sempre a descer, ou não?

Depende!

Neste ponto vou colocar de parte propositadamente os casos graves (violência, traição, vícios como o jogo, álcool ou drogas, etc.) onde o fim de uma relação é, ou pelo menos pode ser considerado legítimo e muitas vezes desejável para o bem estar do outro que não tem de viver com isso.

Colocados de parte os casos acima descritos, os relacionamentos têm duas formas de começar: por atração física/sexual, ou por atração espiritual e notem que este espiritual aqui nada tem a ver com religião, filosofia ou esoterismo, refiro-me à atração que não se consegue explicar, ou seja, que não é uma atração exclusivamente material.

Assim, e na minha opinião os relacionamentos que começam por atração física têm os dias contados, nestes casos as irritações com as manias e defeitos do outro tomam proporções mais ou menos gigantescas e a coisa acaba mais cedo ou mais tarde, ou nos casos que não acaba por causa disso, o corpo naturalmente envelhece e o que atraiu em primeira mão deixa de existir indo tudo por água abaixo na mesma, ponto final.

Nos casos em que a atração é espiritual, o amor e companheirismo vão sendo maiores do que os problemas e as irritações que o outro provoca e o desafio vai sendo superado, até que se chega à terceira parte de um relacionamento, a aceitação por completo, onde o Amor (com “A” maiúsculo) e a Amizade genuínas imperam!

E não, não me refiro às pessoas que arrastam uma relação por pena, que se anularam, que simplesmente estão habituadas, com medo de sair da sua zona de conforto ou para manter as aparências, refiro-me sim ao amor verdadeiro, aqueles velhotes que passeiam de mão dada, aos que partilham tudo, passam por dificuldades uma vida inteira e ainda têm um brilho nos olhos quando falam de quem compartilham a vida (mesmo quando o fazem a gozar com algum defeito do outro).

Bem sei que para muitos leitores isto serão balelas, no entanto é a minha opinião.

Se está a ler isto e sonha ter um relacionamento para toda a vida, prepare-se, não é fácil e dá muita chatice.

Para construir algo a dois é necessário concessões, paciência, dar-se por completo e sem reservas, os problemas vão existir e é impossível passar toda uma vida sem discutir, por vezes os problemas do trabalho interferem em casa, o dinheiro ou a falta dele provocam mossa.

Tenha sempre presente que tanto você como o outro tem defeitos de personalidade e físicos, as rugas vão aparecendo, a celulite, a flacidez e a gravidade fazem estragos… mas (e chamem-me sonhador se quiserem) continuo a acreditar que compensa!

0 comentários:

Enviar um comentário

Todos os comentários serão publicados, excepto spam e/ou os que contenham linguagem inapropriada.

Laudas mais lidas nos últimos 7 dias