Eu, o Lancaster

Inglaterra, algures entre os anos do Senhor de 1455 a 1485.

Montado a cavalo, chefiava uma coluna de cavaleiros pronta a entrar em combate, mantínhamo-nos imóveis observando o campo de batalha sangrento um pouco mais abaixo.

No meu caso e embora o sol não tivesse a descoberto, sentia-me a suar dentro da armadura pesada, o coração batia rápido, o meu cérebro mantinha-se alerta e os meus olhos perscrutavam desesperadamente a amalgama de combatentes, procurava uma pessoa específica no meio daquela carnificina que ocorria a uns metros de distância.

No meio de centenas de homens era uma missão difícil, mas detetei-o, consegui reconhece-lo pelo brasão que envergava, diferente de todos os outros, puxei a respiração a fundo, fechei a viseira e ao mesmo tempo que segurava com força a espada na minha mão direita, sacudi as rédeas do meu cavalo com a esquerda, pressionei os calcanhares de encontro ao ventre do animal e gritei a plenos pulmões: POR LANCASTER!

Arrancámos num galope desenfreado, os cascos de todos aqueles cavalos a bater no chão faziam um barulho ensurdecedor, eu seguia pouco à frente, no máximo a um metro dos cavaleiros que me seguiam numa formação em V e os meus olhos não se desviavam do objetivo.

Entrei de rompante no meio da confusão, a espada embateu uma e outra vez em alguns desgraçados que apanhei pela frente, o cavalo assustado empinou um pouco, mas resoluto consegui controla-lo, fi-lo saltar por cima de uns corpos talvez já cadáveres e abri caminho em direção ao objetivo.

Esta batalha para mim tinha um outro significado, tudo o resto não importava, só pensava em limpar a minha honra! Naquele tempo a honra tinha muito valor e eu dava-lhe um valor exacerbado, na realidade estava obcecado.

No momento seguinte e enquanto me aproximava a galope do bandalho, obtive a certeza que ele me viu e tenho a certeza que me reconheceu, também avançou rapidamente na minha direção montado no seu cavalo branco, empunhei a espada com raiva no seu sentido e o embate que se seguiu foi violento, senti-me projetado para fora da cela e caí no chão desamparado.

Ele não caiu, mas decidiu desmontar e veio em passos decididos na minha direção, levantei-me com custo, senti fortes dores mas não tinha tempo para pensar sobre isso no momento, não tinha largado a minha espada e coloquei-a em posição de defesa… ele investiu com violência.

O barulho de ferro com ferro ecoou nos meus ouvidos, dei luta, fui bravo, no entanto as condições físicas colocavam-me em acentuada desvantagem e sofri um golpe fatal, sentindo a vida a esvair-se pouco depois.
Nem honra, nem vida jazia naquele chão!

Nota histórica:
A Guerra das Rosas durou 30 anos e foi uma luta pelo trono Britânico entre a família York, cujo brasão era uma rosa branca e a família Lancaster, cujo brasão era uma rosa vermelha.


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