Say something, I'm giving up on you*



Frederico tinha-se divorciado recentemente, depois de uma breve temporada em que regressou à casa dos pais, conseguiu acidentalmente um novo trabalho noutra cidade, tinha-se mudado há 3 semanas para uma simples e pequena casa alugada, o recheio é muito pobre e ainda não arrumou tudo como pretende, mas no seu imaginário uma casa de solteiro é assim mesmo.

Nesta nova fase tudo é novidade, novo ambiente, novos colegas, não conhece ninguém fora do trabalho, pelo que a sua vida não varia muito entre o trabalho casa e casa trabalho, também está a descobrir uma nova faceta no seu eu… no gozo pensa regularmente que se está a transformar numa autentica fada do lar!

Naquela manhã elaborou uma pequena lista com coisas que lhe fazem falta e dirigiu-se a uma conhecida superfície comercial, estava cheio como é habitual ao fim de semana, ainda para mais um fim de semana de inicio do mês, entrou no hipermercado e como não ia comprar muita coisa decidiu não ir buscar um carrinho, optou por um cesto e dirigiu-se à secção da padaria, no caminho reparou num corredor com vários artigos para o lar, uns copos chamaram-lhe a atenção e desviou-se do caminho traçado originalmente.

Uns pratos, copos e chávenas novas eram bem vindas, analisou os preços e perante o orçamento apertado decidiu adiar esses mimos para o mês seguinte, quando rodou para voltar ao corredor onde estava inicialmente viu-a ao longe… custou-lhe acreditar na situação: numa cidade grande foi tropeçar logo nela ao fim de somente 3 semanas?! 

Observou que ela estava a escolher algo de uma prateleira junto a um carrinho de compras já com alguns artigos, instintivamente Frederico colocou a mão esquerda no bolso, pois mesmo sem nenhuma razão lógica aparente, não pretendia que caso ela o visse percebesse que se tinha divorciado!

Recuou até à esquina do corredor onde se encontrava, ela não o tinha visto – continua linda – pensou – será que tem alguém? É claro que terá! – e foi continuando o dialogo mental consigo próprio – e se não tiver? – encolheu os ombros – se não tiver ainda, irá ter de certeza, eu não sou homem para ela – espreitou novamente e embora no mesmo corredor ela tinha-se afastado, estava de costas voltadas para ele.

Deixou o cesto vazio para trás e dirigiu-se rapidamente para a saída própria para quem não tem compras, já do lado de fora do hipermercado e a caminho do acesso ao parque de estacionamento, pegou no smartphone e acedeu ao arquivo de mensagens, procurou um SMS antigo que nunca tinha apagado e releu partes do texto:

“Estava a pensar em ti… Juro. Se te tiver por perto vou estar calma e equilibrada, pois é isso que me proporcionas, e também muitos momentos divertidos(…) Desculpa qualquer coisa, não tenho sido sempre correta e justa contigo, mas quando estamos menos bem descarregamos sempre nas pessoas de quem mais gostamos e que sabemos que nos desculpam sempre(…) Beijo, ADORO-TE”.

Não conseguiu evitar um sorriso de felicidade pelas recordações que aquele texto lhe transmitiu, guardou o smartphone e enquanto continuava a caminhar veio-lhe à mente a última palavra que ela lhe tinha dirigido meses depois – “DESAPARECE”!

Deu um novo sorriso, desta vez mais triste e complacente – de facto as coisas mudam – pensou, e nesse momento reparou que no som ambiente da superfície comercial estava a passar uma música sua conhecida:

“(…)Say something, I'm giving up on you,
And I, will swallow my pride,
You're the one that I love,
And I'm saying goodbye(…)”*

Era irónico demais, acelerou o passo e continuou com os seus pensamento – bom, já sei que aqui não é sitio onde volte a fazer compras!

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